
A arte de reclamar com o bispo

Antes que me perguntem, isso aqui não pretende virar um diário da favelada. Só que, como agora eu engrosso o número dos que residem em comunidades carentes, não daria para escrever sobre festas bombadas na Barra da Tijuca, porque eu não sei nada sobre essas coisas, nunca soube e tenho raiva de quem sabe, que fique bem claro [rs]. Só posso escrever com propriedade sobre assuntos que domino, e como estou pouco a pouco dominando a arte de viver em reais guetos, só pode ser assim mesmo, tenham paciência comigo.
Tarde de domingo, eu linda e castanha jazia sobre o sofá-cama do meu pseudo quarto, quando acordo sobressaltada na mais linda penumbra. Seria um charme não fosse meu tico e teco entenderem, depois de muito, que havia algo estranho ocorrendo no reino de Oz. Será que eu havia deixado tudo assim, apagado? Eu me lembro de ter tentado ver tv antes de dormir, pelo menos ela então teria que estar lá, funcionado para o fantasma da ópera... e eu não me lembrava de ter programado bosta de timer nenhum. Estranho.
Levanto cambaleando como eu só, no que ouço a minha vizinha charmosa vociferando bem na minha janela – pessoas de comunidades carentes costumam comunicar-se assim, um típico telefone-sem-fio sem telefone nem fio – e eu procurando entender, memória virtual do windows absurdamente baixa naquele momento. A vizinha falava em alto e claro som que tinha uma pipa, uns meninos, que enganchou, que o transformador, que volta amanhã e eu, atônita. Algum tempo de processamento mental depois, entendi que a luz tinha acabado em meia rua, justamente a minha metade, óbvio, por custa de uma pipa que uns guris haviam delicadamente enganchado não sei onde de um poste da Light. Que beleza. Imediatamente eu trouxe à tona a solução deste problema doméstico, eu tenho sempre todas as soluções. Hahãm.
- Por que então não ligam para a Light, oras? Simples assim. Afinal, era assim que se fazia, quando eu morava ainda no asfalto. Cai a minha ficha então. Cai não, despenca. Estela, como você, donzela, poderia ligar para a concessionária de energia elétrica se você não paga energia elétrica? Se a sua casa, como a de outras tantas da aprazível localidade, funciona pagando uma tarifa lá mínima de nada? Se eu fosse um funcionário da Light iria rir muito de minha própria solicitação. E que funcionários iriam atender, domingo à noite, num lugar tão feliz como aquele? Subir num poste para consertar um transformador seria algo como aventurar-se, desviando das balas perdidas. O jeito foi voltar à normalidade e sentir-me feliz de estar sem luz! Afinal, quem precisa de banho quente? :-)
às 14h03 []
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O Pan do favelado

Tomada por sentimentos boilísticos de incruzão sociau, e já que o esporte agora é considerado a tônica do momento, apresento as verdadeiras modalidades do PAN na favela, bem diferentes das “originais”.
- É nóis invadinu o PAN, tá ligado? Fexô,maluco.
Jóquei sobre a grama: Modalidade de muitas variações onde o jóquei, o coitado que montava no cavalo/jegue/jumento ou o que seja, é atingido pelos caras da milícia por um tiro de HK e jaz sobre a grama. É um esporte passivo, de pouca interação com o público, que, no máximo, manda chamar o corpo de bombeiros para recolher o presunto. Provas: Jóquei sobre a grama sangrando; Jóquei sobre a grama gelado.
Nado sincronizado: Trata-se pura e simplesmente do mergulho - e até mesmo do nado, em modalidades avançadas – realizado sobre/em qualquer superfície imediata, que permita a fuga das rajadas de fuzil UZI, no caso de invasões do caveirão. Pode ser sincronizado (multidão mergulhando junto) ou solitário, caso seja só você a bucha a estar na mira. É um verdadeiro show aquático sem água com direito a acrobacias. Provas: Mergulho livre no asfalto, Revezamento 100m Medley em postes da Light.
Saltos Ornamentais: Competição bastante antiga, de origem imprecisa nas comunidades carentes. A base do esporte é realizar movimentos no ar, obrigatórios, buscando melhor posicionamento em tiroteio eminente. O trampolim pode ser basicamente qualquer coisa que alavanque, desde tálbas perdidas a pedaços de móveis abandonados, na qual o atleta deve realizar movimento de impulsão para ser atirado ao léu, pois o importante é fugir, pouco interessa para onde e de que forma. Os jurados avaliam a qualidade técnica e dificuldade do salto, mas apenas se o atleta sobreviver, claro.
Tiro Esportivo: Tiro é um negócio que tem muito na favela. Aliás, a favela é composta basicamente de 20% de favelados e 80% de bala pra todo lado. Atirar é mesmo o esporte-mor praticado nas comunidades, aliás, é o seu centro de treinamento intensivo, para formação de novos atletas. E se há uma coisa que não falta são praticantes. Provas: Ataque ao caveirão sem defesa; pipoco com carabina de ar masculino; pistola do tráfico feminino.
E por fim...
Vela: Não propriamente uma prática desportiva mas de presença marcante na favela. Provas: Vela de macumba categoria Race; Vela de velório de pobre, sem bóia.
às 17h48 []
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Novidades recentes da minha vida atual! [rs]

Morrer eu posso, hoje, agora, ataque fulminante do coração. Mesmo participando do lado de fora, no super telão montado
Dia 09/06/07, Fundição Progresso vai ferver. Último dia de show dos Los Hermanos e eu lá. Não quero pensar em cansaço numa hora dessas mas vai ser uma maratona, eu no meio daquela gurizada pulando, e os meus trinta e lá vai pedrada doendo, a coluna, osteoporose, bico de papagaio, tudo que tem direito. Definitivamente eu não tenho mais idade pra essas presepadas, mas o que há de se fazer? Não ia conseguir ficar em casa sabendo que o Amarante estará no palco. E depois, é o “quase último” show, a gente se recupera depois do massacre. E como estou morando vocês sabem onde, craro que eu vou ter que dormir nas quebradas da Lapa, ônibus pro fim do mundo só tem até 23h.
Falando em lar doce lar, anteontem quase vivenciei meu primeiro tiroteio, ainda não vi o caveirão, peninha, mas em compensação, tive a grata felicidade de dormir ao som de rajadas de tiros, ontem. Eram tão próximas que eu pensei que estava sonhando com elas, que nada! Tava sonhando não, Estelita, o pipoco era live. Posso dizer aos amigos leitores que esperam por minhas impressões do local, que é aterrorizante saber que tem gente testando armas em alguém na rua, e tão perto, a impressão é de que vão entrar na sua casa a qualquer momento e que você virará peneira de bandido. Não é nada agradável, até porque tenho a nítida idéia em mim de que essa moradia é temporária, mas putaqueopariu, que tempo de merda vai ser esse. Todo castigo pra sapatão é pouco nessa vida.
Ah, outra coisa insólita que pode ser somada às emoções dos últimos dias é o fato de eu ter sido sumariamente demitida na sexta passada e readmitida na segunda. Eu nunca tinha passado por isso, veja que coisa absurda, ele disse simplesmente que tinha mudado de idéia. Eu feliz, pensando em abocanhar a graninha do FGTS e em rumar para uma nova ocupação temporária (existem várias coisas temporárias in my life atualmente) até que a Transpetro resolva desenrolar aquela cama de gato, nada. Vou ter que continuar ainda trabalhando pra pobre. Pelo amor de Deus, que sina, tô na merda mesmo. E isso porque eu sou uma pessoa legal, temente à Jesus.
Tem nada não, o show dos Los Hermanos tá chegando. Por enquanto é só, pe-pessoal!
às 12h50 []
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Emburrecimento automático
agora sim, a verdadeira geração perdida de

É revoltante comentar o assunto, tanto que evitei o quanto pude. Como ex-docente, na qualidade de quem conhece o estado da educação brasileira - pelo menos de quem teve uma boa mostra do tamanho do caos, já que o buraco é sempre mais embaixo do que podemos enxergar – só posso me colocar absolutamente contra a essa barbárie, mais uma das tantas que comete-se contra o sistema público de ensino. Claro, óbvio, notável que a aprovação automática para o ex-chamado segundo ciclo – 5ª à 8ª série - gerará situações ainda mais descontroladas que as atuais, como se não bastasse o que temos. Se os professores antes tinham que fazer milagres, agora estão totalmente entregues à própria sorte, indignos, de mãos atadas e fazendo papel de marionetes na mão do sistema. Ainda bem que eu abdiquei do sonho de lecionar, parece que eu estava adivinhando o circo em que isso tudo ia se transformar.
Adolescentes com internet, celulares e acesso à mil e trezentos bilhões de informações mais interessantes que as capitanias hereditárias, que já não olham sequer para a cara do professor, agora então, sabendo que no fim sua aprovação está garantida pela Resolução 946, que interesse eles terão pela escola? O que vai ficar fazendo o professor lá na frente? Lecionando para o nada, o vácuo, para o buraco negro. Perde todo mundo nessa brincadeira de liberalidade e permissão total, e isso quem criou a lei vai ver, daqui a uns 10 anos, quando as coisas estiverem mais buraco que hoje, se é que dá. É uma enganação coletiva instaurada: a escola passa a “formadora” de coisa alguma, com notas mascaradas, desempenho inventado, aprendizado drasticamente reduzido e até nulo. E os alunos, que hoje adoram a idéia de não precisar se preocupar em entregar trabalhos e realizar provas que atestem a assimilação do conteúdo, amanhã vão perceber que foram enganados, dá-se a permissão hoje e amanhã, sem formação, essa horda de semi-analfabetos não terá condição alguma no acirrado mercado de trabalho. É legal ficar no páteo cagando para a aula, ser rebelde, duro é dar de frente com a realidade mais tarde. O vestibular então, vai ser uma beleza, né César Maia? Assim dirá o nosso querido prefeito do legado social do PAN.
É uma Resolução absurdamente autoritária essa. Discussão razoável com os envolvidos, pais, educadores, alunos? Não aconteceu. Ao invés disto fomos todos pegos de surpresa, porque a Secretária Municipal de Educação assinou o negócio lá e pronto. Assinou, mudou a porra toda, sabe-se lá com que critérios, sem sequer discutir, transformou a vida de milhares de pessoas
Não é difícil prever que uma atitude como essa causará conseqüências ainda mais desastrosas do que as que já vemos acontecendo. Queria saber eu onde foi parar aquele espírito de LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira – que já em seu segundo artigo traz “Art. 2º. A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Puro texto para enganar otários, aliás, a Lei inteira. Pleno desenvolvimento do educando, só se for na casa do chapéu queimado. Se eu já ficava puta de ter que estudar essa Lei para o concurso público, agora então... tudo o que eu posso dizer é que, ainda bem que não tenho mais que estudar essa merda. Está nítido e claro como um cristal: o que eles estão interessados mesmo é promover um grande emburrecimento coletivo. E ouçam o que eu digo, infelizmente eles vão conseguir.
às 16h29 []
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Sobre a arte de viver em comunidade

Moça em estágio de pré-ambientação. Este fato pressupõe aprendizado, e um aprendizado bizarro, óbvio. No meu caso, que escolhi habitar a pacífica localidade já aqui ternamente mencionada, faz-se mister aprender como conviver, como perceber e “compactuar” das leis sociais lá existentes, visto que euzinha nunca fiz parte de comunidade nenhuma, pelo menos não fora do Orkut. Por Comunidade, entende-se lá na Sociologia o “agrupamento que se caracteriza por forte coesão baseada em consenso espontâneo dos indivíduos”, mas no caso aqui sabe-se que comunidade quer dizer favela, embora este termo seja péssimo. Como o eufemismo é mais bonitinho, comunidade soa melhor. Já que eu vou fazer parte deste conglomerado humano, elaborei três grandes regras básicas para quem quer viver bem, mesmo entre os “suspeitos”.
Regra 1:
Amigo é amigo de amigo
É importante estar situado. Já pude observar que a lei magna do ambiente é o chamado TCP. Descobri-o pura e simplesmente pelas inscrições nos muros da localidade. Logo, como inteligente que sou, viro imediatamente amiga de quem é amigo do TCP. E isto me leva a condição de persona non grata em territórios onde mandam o CV ou o ADA, por exemplo. Para quem não está entendendo as siglas, sinta-se feliz, são siglas de facções que comandam boa parte dos movimentos nas comunidades. Não que eu vá me tornar realmente amiga deles, mas não custa nada ser simpática, pode ser bastante útil, em casos de dificuldades. Já sei agora onde posso circular com relativa segurança e onde posso ser alvo fácil. Útil pra caramba isso. :-[
Regra 2:
Do caveirão
Já obtive informações interessantes acerca do temido veículo. É um super carro forte em que os policiais se enfiam para dar as batidas no local onde os carrinhos pequenos de polícia seriam rapidamente detonados pelos armamentos dos traficantes. Ver um deles significa perigo de grau dois zilhões, corra que a polícia vem aí é pinto. O ideal é estar sempre no sentido contrário do veículo, quando se der de cara com um, ou seja, rumar para o ponto oposto, se der tempo. Em casos extremos aconselha-se o mergulho no asfalto, sob forma de prevenir a chuva de tiros. Esta sim deveria ser uma modalidade esportiva a ser explorada no PAN, o mergulho no seco. Isso sim é que seria inserção social dos que moram em comunidades.
Regra 3:
Simpatia rulez
Esta vai ser um pouco mais difícil de assimilar. Para o bom viver entre os companheiros da comunidade, não só os suspeitos – se bem que todos parecem suspeitos a princípio – é necessário conjugar dos hábitos humanos do local. Isso significa não fazer caretas feias e nem demonstrar mau humor aos presentes, melhor ainda, participar de atividades culturais locais. Entenda-se por atividades culturais churrascos, pagodes, “cachaçagens” em geral, feijoadas e outros eventos de cunho lúdico, demonstrando amabilidade eterna, irrestrita e irrefreada. Donde conclui-se que neste pacote está a idéia de compartilhar, mesmo que fingidamente, do gosto musical da galera. Depois de bêbada também, não é muito difícil ouvir Mc Catra. :-[ O segredo é socializar e parecer igual. Se bem que, na verdade, somos é todos farinha do mesmo saco, mesmo que moremos em pontos elegantes ou não da cidade. No fundo é tudo igual: o playboy e o vapor.
às 17h23 []
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P a n ?

Muito bem, faltam 87 dias para os Jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro. Blérgh. Não consigo achar isso muito bom. Como moradora do Rio que sou, vejo que o Rio precisava de muita coisa, mas muita coisa antes de se pensar em investir tanto num evento. Não tenho nada contra o esporte, acho legal e tal, tem lá o seu lado positivo, mas daí a pensar nisso como prioridade para o Rio, desculpem, mas acho um tremendo absurdo. Não adianta investir na formação de jovens para trabalhar no Pan, se daqui a pouco esses mesmos jovens estarão de volta às suas comunidades, desempregadíssimos da silva. É sim, tapar o sol com a peneira, é querer mostrar para o mundo um Rio que não existe, que está sendo delicadamente fabricado para a realização do grande evento. Depois do grande evento o que sobra para nós, que moramos aqui? Lindos estádios abandonados, linda infra-estrutura para o nada. Enquanto isso, tome hospitais públicos caindo aos pedaços.
Justificativa eles têm, tudo investimento plenamente justificável. São as ações de prevenção de violência durante a competição, o tal Plano de Segurança Pública do PAN 2007 [ah, tá, pensei que este deveria ser um trabalho contínuo, mas eu sempre penso errado, tudo bem] montagem de infra-estrutura e logística modernas, adequação dos aeroportos para receber as pessoas que virão ao evento, obras emergenciais em rodovias, implantação de Centros Comunitários com internet banda larga, entre outras coisitas, tudo pela bagatela de R$ 1,284 bilhão, orçamento já dez vezes maior que o previsto inicialmente, o que mostra que os caras entendem tudo de planejamento. E o nosso presidente quer que entremos para a história, como modelo de organização do evento. Sinceramente eu preferiria outros louros, que o Brasil fosse lembrado por seu respeito ao trabalhador, ao ser humano, pelo investimento no mínimo necessário a alguém para que sobreviva com dignidade, ao invés disso tudo, essa construção de palacetes para abrigar atletas vindos de fora nas Vilas do Pan, enquanto outros dormem em barracos nas favelas.
Tá, a formação de atletas é legal. Mas seria mais legal ainda formar atletas que tivessem o que comer. Que tivessem um hospital público decente. Ou ainda, investir essa grana na recuperação das nossas escolas, no pagamento dos docentes, na merenda escolar que inexiste, ao invés de jogar todo mundo nesse mundinho de sonhos fantástico. Penso eu que se eu não tenho o mínimo, não posso construir nada em cima disto. E é exatamente o que estão fazendo, viajando na maionese e gastando nosso dinheiro pra inglês ver, aplaudir, para ser noticiário mundial. Depois que acaba a porra toda, simplesmente esquecerão os investimentos. Daqui a alguns anos leremos reportagens “investigativas” contando sobre o que ficou abandonado, sem uso, e toda essa infra-estrutura desperdiçada, porque eu não acredito que boa parte disto vá ser aproveitada depois, com a seriedade que deveria, até por se tratar de recursos públicos. Não acredito e ponto, esse filme eu já vi.
Não tem dinheiro para aumentar o salário mínimo, mas tem para aumentar os salários dos altos escalões do governo. Não tem dinheiro para compra de medicamentos pelo SUS, para o tratamento de doenças crônicas, mas pode construir vilas inteiras de apartamentos, com recursos oriundos do FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador. Que merda de raciocínio é esse? Ou meu cérebro é pequeno demais para entender essas coisas de investimento do Governo Federal/Estadual? Desenvolvimento econômico? Trazer gringos para cá, fingir que tudo está bem e que o Rio de Janeiro continua lindo? E o rombo na Previdência Social? Os milhares de trabalhadores que ganham uma miséria depois de ter trabalhado anos a fio pelo país? Esses, eu acho, merecem bem mais que o prazer de ver uma competição esportiva. É lindo, mas é maquiado. E só a gente que mora aqui sabe, que no outro dia, a maquiagem borra todo o cenário e o governo, vira as costas como sempre.
às 15h59 []
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Eu queria ter na vida, simplesmente...

Até bem pouco tempo a pessoa aqui nunca havia dimensionado a importância de se ter uma casa. Quando se é mais jovem a coisa acontece assim, não se pensa quase nada no futuro, acha-se que tudo pode ficar sempre pra mais tarde, amanhã, ano que vem, ano 2.000, e que estas necessidades burguesas um dia vão ser supridas de uma forma ou de outra, numa espécie de magia instantânea. Ledo engano. Para ter uma casa é preciso muito trabalho, dificuldades, privações, preocupações e muito tempo, para planejar, executar o plano e ver tudo dar certo. Principalmente porque comprar uma casa requer o que eu menos tenho, dinheiro.
Façam o que eu escrevo e não o que eu fiz, esta é a lei deste texto. Sei que arrependimento é péssimo para qualquer ser humano, e talvez nem seja mesmo esse o termo mais aplicável no meu caso, conseqüências do que fazemos ou do que deixamos de fazer são para mim meio que como lições, para o nosso crescimento. Lições bastante amargas, às vezes. Por isso quando a minha mãe falava pra eu pensar no futuro, eu ria. Hoje, me descabelo. Boca de mãe é fatal. Vejo pessoas mais jovens, de meu convívio, também não se preocuparem nada com essas questões e isso me traz certa ruga de preocupação. É duro concluir que muito em breve eles estarão aqui onde estou, exatamente nesse questionamento, perguntando o que teriam feito da vida se a cabeça fosse a atual, e não a cabeça-oca, inerente aos jovens.
Eu sou uma pessoa boa, gente. Juro. Não cometi muitos grandes erros em minha vida até aqui. Claro que não sou santa, mas posso gritar aos 4 ventos, com segurança, que tenho mais orgulhos que deslizes, até porque eu consigo me orgulhar dos meus deslizes também, o que comprova uma certa falta de nexo. Perfeito só mesmo o cara lá de cima, e é bom demais não ser assim, ser “humano”, como canta a Zélia Duncan. E por mais que eu passe a vida inteira tentando ser perfeita, e olha que este é um ideal claramente virginiano, iria no máximo conseguir ficar muito frustrada e puta com os meus defeitinhos. Que que tem se eu não juntei dinheiro até aqui para uma casa? Se eu não pensava no futuro? Oras, não pensava porque... não pensava! Porque a vida parecia que ia ser mais fácil. Tadinha di eu.
Hoje este assunto, a casa, a compra da casa, tira meu sono. Não com desesperança, porque sei muito bem que há quem me guarde, e a situação já foi ainda muito mais desesperadora que hoje é. Claro que não é confortável ter um fantasminha, uma situação não-resolvida, uma pendência tamanho combo, irritando, causando certo martírio, mas quando surgem as rugas, surge em mim também o pensamento de todas as coisas que eu já superei nessa vida, e ainda supero, que não foram poucas, e com ele percebo que eu tenho a proteção de Jesus. Só ele me trará a resposta de tudo que me intriga, ou incomoda. E enquanto eu corro atrás do prejuízo, em busca de ter o meu cantinho, ele lá de cima olha, e abençoa a minha luta diária. Luta honesta. De pessoinha suburbana querendo um barraquinho com cortininha de prástico na cozinha. Ai, Deus, ajuda aê!
às 18h35 []
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Tsunami bucal

Muitos anos amém sem dentista. Não por falta de interesse ou puro relaxo, mas por falta de cascalho. Bufunda. Grana. Metal. Essa é, aliás, a única coisa que me impede de fazer muitas outras coisas, mas não vamos aqui entrar nessa velha ladainha. Medo de dentista é uma coisa que eu não tenho, felizmente, acho que já senti tantas outras dores supremas na vida, que essa eu nem ligo mais. Motorzinho, pode vir quente que eu tô fervendo. Eu sou muito macho para essas coisas. E algumas outras tb [!].
Graças ao auxílio providencial da mamã da Estela, que mesmo depois de tanto tempo continua me ajudando em tudo, resolvi a parte pendente deste processo, a situação monetária. Ela resolveu patrocinar. E quando mãe resolve, melhor não discutir. Lá fomos nós para o temido orçamento, momento de extrema tensão. Quando se sabe que uma casa está em completa ruína, e com muito pouco a ser aproveitado da estrutura, logo conclui-se também o tamanho do gasto com a reforma. Assim se dava com minha boca, que era uma penúria só, de fazer chorar, acreditem. Cáries instaladas aos montes como se estivessem em casa, no sofá, de Havaianas. Tá tudo dominado.
Pra encurtar a história da catástrofe, 10 obturações, 02 canais, 1 cirurgia mega-power-combo, para retirada de um dente do juízo [os textos aqui vão piorar deveras, hehehe] 1 extração do pré-molar, 3 dentes falsos com pinos, um bloco [tá chegando o carnavaaaal], flúor, limpeza, remoção de molho tártaro. E pra finalizar, um glorioso aparelho ortodôntico, que eu estou adiando há séculos. A pessoa além de linda, escritora, formosa e fodida, agora também terá um sorriso estrada de ferro. Tudo para o bem geral da nação e da hecatombe bucal em que me meti. Ou que me meteram, sei lá.
Esse é o retrato de uma boca em ruínas, crianças, não queiram ficar assim. Escovem os dentinhos. [rs]
às 15h27 []
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Chicória Maria
Glória Maria da Matta, repórter do Fantástico, jornalista e outras coisas que não me cabem mencionar aqui. Muito bem. Eu queria descobrir uma coisa boa, mais umazinha só, que essa figura tenha acrescentado às nossas pacatas existências. Uma contribuição, coisa pouca. Eu como creio nas pessoas e sou dotada de extrema boa vontade, fui ler sobre ela no intuito de mudar a minha percepção, quem sabe até nem escrevê-la assim nessa homenagem. Num deu não, gente. As declarações que ela dá, os hábitos esdrúxulos, a mega ultra super combo futilidade, só me fizeram crer que essa pessoa merece o destino que eu tô dando agora. Vamos enumerar os problemas. Isso é, se couberem aqui.
Primeiro que ela não conta a idade pra ninguém. Acontece, dona Chicória, que a senhora nasceu em 15 de agosto de 1949, que eu sei, e todos os meus leitores agora também sabem. Portanto, vai mentir na casa do chapéu. Eu acho isso podre, que que tem revelar a idade, Zeus? Aí fica aquela palhaçada em torno dessa interrogação. Ela viaja e volta na mala com ninhos de passarinho que é pra fazer sopa. Dizem os tailandeses que esses ninhos retardam a ação do tempo. Ela toma 110 medicamentos por dia para não envelhecer, isso dá uma média de quatro cápsulas e meia por hora, o que quer dizer que ela faz quase nada da vida. Minha fofa, eu tenho que te falar um negócio, essas cápsulas são de farinha, não tá funcionando merda nenhuma. Tu continua um maracujá de gavetaaa! Hahahahaha
"Nem a minha mãe sabe, eu misturei a cabeça dela. Enquanto as pessoas estão preocupadas com a minha idade, elas vão despencando e eu vou ficando cada vez mais inteira". “Da minha boca, minha idade não sai. Põe aí que sou a mulher sem idade.”
E tem mais: ela gosta de garotinhos. Agora eu peço, encarecidamente, se alguém conhece um destes garotinhos que chegaram nela, dêem a eles o endereço da clínica psiquiátrica onde eu me trato, pelo SUS. Interna esse povo, que é perigoso até a convivência em sociedade, podem até ser radioativos, sabe-se lá. Desnecessário eu falar aqui o quanto uma coisa se junta com a outra, o fato dela abominar o envelhecimento e de querer manter-se ao lado dos gatinhos cheirando à fraldas. Acho eu que isso é uma tentativa dela de roubar-lhes o frescor da juventude. Mas eu fico aqui mega feliz sabendo que ela não pode contra as ações do tempo! E quero só ver daqui a dez anos se ela ainda vai conseguir pegar algum garotinho incauto.
"Não tenho predileção por homens mais jovens, eles é que têm por mim (risos). Nunca pedi carteira de identidade para nenhum homem que namorei”
Ela não sabe dirigir. Tem obsessão por escovas de dente. Quando se sente insegura, apela para uma espécie de amuleto: uma toalhinha que carrega sempre na bolsa. Foi a primeira jornalista negra da Rede Globo [e a primeira feia pra caralho também] Ela já esteve no 13º lugar na lista das mulheres mais sexies do mundo. [afff] Ela “fecha" um salão, uma segunda-feira do mês, para cuidar de suas madeixas. [eu queria saber onde é, pra sempre passar longe!] Ela brigava nos bastidores com o Pedro Bial, por isso que ele saiu do Fantástico. Ela foi madrinha do bloco Cacique de Ramos quando tinha 15 anos. Ela enfiou o dedo no nariz ao vivo, para 2,5 milhões de espectadores durante a apresentação do Rock in Rio em 2001.
Chega que eu vou lá fora vomitar.
Desejo a ela do fundo do meu pâncreas, muitas rugas, pés de galinha, celulite e frondosas estrias. E que ela vá para uma daquelas expedições para lugares exóticos do Fantástico e seja gentilmente engolida por algum animal selvagem. E bendito seja esse animal.
às 12h49 []
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Retrospectiva 2006
e futuras instalações de 2007
É chegado o momento de pensar no que foi o ano de 2006. No fim do ano passado era outro sentimento, outros muitos e alguns muito piores que os de agora. Na verdade 2005 foi uma bomba para mim, eu não estava feliz com quase nada, desencontros, desencantos, desesperança. Já 2006 brilhou, muitas luzes, muitas novidades boas. Comecei o ano com uma homologação da Transpetro, coisa que me tira do sufoco, e apesar de não ter sido ainda convocada, espero ansiosamente por 2007 para encarar esse novo mundo, outra perspectiva de trabalho. Isso valeu o ano eu posso dizer.
Estreitei relacionamentos que estavam meio que parados no tempo, aliás, tudo estava parado no tempo até 2006 chegar. Muitas surpresas em julho, mudanças fenomenais: abandonei o estigma de bipolar e segui feliz, com minhas transformações internas e externas. Hoje convivo excepcionalmente bem com a minha enfermidade, ela lá, eu na lua. Ah, 2006 também foi o ano em que tive que esterilizar a minha gatinha Lua, falando em lua, e esse foi um momento deveras doloroso que eu passei, na Suipa. Nada é simples quando se trata de uma cirurgia no seu bichinho de estimação, parece que é em você, mas isso só quem tem um pode avaliar.
Em 2006 eu também tive que abandonar a Psicoterapia, e passei a fazê-la entre mim e Jesus Cristo. Confesso que não há nada mais poderoso, nada que tenha essa capacidade de nos transformar, e devo tudo, mas tudo que eu sou a ele. Ah sim, comecei também a ir com maior freqüência à missa, conheci o Padre Marcelo, [esse não é o Rossi] e sou feliz por ter ouvido dele tanta coisa que me valha, ele estará de volta à paróquia em 2007, e eu é claro, idem. Fiz uma dieta que me modificou externamente, cortei o cabelo inúmeras vezes, escovei, pintei, coloquei meu piercing de sobrancelha. Retoquei também minha tattoo das costas.
Falta muito. Sempre falta. Em 2007 quero um mundo de energias positivas para mim, os que me amam, os que me detestam, enfim, paz para a humanidade. Quero voltar a estudar, outra Faculdade, desta vez Engenharia, acreditem. O mundo é mesmo pequeno pra caramba... e como dá voltas. Quero comprar uma casa em 2007, e eu vou. Vou porque estou absurdamente ciente desta minha necessidade número zero. Tudo vai mudar e eu espero tanta coisa! Em 2005 eu não esperava nada de 2006. Que bom que tudo mudou, finalmente. De ex menina problema a resolvedora de problemas! Belezinha esse ano que passou... tenho que reclamar de nada! Os bares que frequentei, os amigos novos que fiz, as pessoas muito especiais que conheci... tudo me faz pensar que este realmente... valeu! Valeu minha querida Lenira, pela sua amizade tão maravilhosa... valeu Angelita que eu amo, valeu Fabíola... Cássia, minha nova adorada amiga do peito! Valeu Má! Beijo pra todo mundo do tipos.com! E beijo pra todo mundo que me traz coisas boas nessa vida... e para as outras que virão!
Fui! Para 2007!!!
às 11h14 []
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Bom, como eu não vou estar por aqui a tempo,
aproveito logo para deixar aos meus amados leitores
aquele famoso...

às 10h28 []
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Mistérios da humanidade:
A cordinha e o O.B.®

Eu acho até que é um produto útil, os absorventes internos de um modo geral. Deve ser bom para quem consegue se adaptar, do contrário sempre fica a estranha sensação de estar tampada por um corpo estranho. Sim, porque o O.B. nada mais é que isso, um chumaço cilíndrico de algodão que a gente enfia para conter e absorver o sangue do ciclo menstrual. Um tampão. Uma rolha modernizada. Quase uma esponja. Quando as mocinhas ficam mocinhas [rs] surgem inúmeras dúvidas acerca do uso do produto, e a primeira vez que se experimenta um tampão desses é mesmo memorável, a sensação de ter virado mulher (isso como se a criatura já não o fosse antes), enfim, um momento de extremos conflitos internos, literalmente. Por exemplo, mulheres virgens podem ser descabaçadas por um OB? Que desânimo se isso fosse realmente possível, a idéia de começar a sua vida sexual com um punhado de algodão compactado não me parece muito estimulante. Mas as dúvidas prosseguem.
Há uma lenda que diz que o OB pode ficar “perdido” no corpo da criatura. Não sei de que cabeça isso saiu, de alguma adolescente maluca, decerto, o fato é que as meninas têm um tremendo cagaço de colocar a parada e ela sair transitando livremente no organismo, ir dar uma voltinha lá no pâncreas, conhecer o intestino delgado, dar um alôzinho para as glândulas tiróides. Isso mostra como as pessoas conhecem o próprio organismo, e é também prova cabal de que muitas delas faltaram na aula de Ciências, ou aproveitavam que o papo era sobre o sistema reprodutor para rir com os amiguinhos no fundo da sala, isso ao invés de prestar atenção na porra toda. Mas tudo bem, que eu também fiz tudo isso na idade deles.
Os fabricantes até que tentam ajudar a desvendar esses grandes mistérios e pelo jeito certas informações mais assustam que ajudam. O grande facilitador na retirada do chumaço empanturrado de sangue é a cordinha. E que pânico ela causa. E se sair do OB? Você puxa por onde? Acho que é nesse momento, da perda do cordão umbilical do absorvente, que ele vai embora para sempre, para a terra do Nunca dos OBs. Diz o fabricante que para saber a hora certa de tirar o ob é preciso saber se ele está saturado. Hein? Saturado? E você deve puxar a cordinha, verificar se está saturado, se não estiver, faz o quê? Empurra tudo de volta pra dentro? Ai meus sais... “os absorventes que ainda não estão saturados tendem a causar um pequeno desconforto ao serem retirados”. Pequeno desconforto? Isso porque não é na dele, fidumaégua. Ah, outro grande problema é como acomodar a danada da cordinha. Na frente, atrás ou deixa penduradinha pelas pernas abaixo? Penso que as anãs não poderiam optar pela terceira opção, sob o risco de tropeçar na cordinha ao caminhar :-]
Não sei se a bula do OB foi modificada recentemente, mas ainda recordo quando a li pela primeira vez. Claro que fui direto nas informações relativas aos casos de grande emergência, o que fazer se a cordinha sumir, por onde puxar o danado pra fora e etc, porque eu também era uma garotinha cheia de dúvidas, ainda mais em se tratando de um treco que vai entrar dentro de mim. Todo cuidado é pouco nesse momento. Lembro claramente de ter lido que se você perdesse a cordinha, tinha que manter a calma, em primeiro lugar, [ah tá, isso pq não é na mãe dele], sentar na posição de cócoras – nesse momento eu me assustei – e tossir! Huahuahuahuahuah!!! Como assim, Bial? Tossir? Quer dizer que tossindo eu iria expelir naturalmente o troço encubado? Agora vê se isso é conselho! Depois de ler uma bula dessa ninguém quer usar é mais nada, bota o fraldão que tá tudo certo. Pelo menos ele não tem cordinha para perder. Ufa. Bom, eu como sou corajosa, coloquei mesmo assim e odiei. Primeiro porque é nojento o negócio quando vc tira, pesado de tanto sangue, e segundo que fiquei tão paranóica que ia de 5 em 5 minutos no banheiro. Conferir se a cordinha ainda estava acessível, né gente? Sabe-se lá... seguro morreu de velho...rs...
às 14h11 []
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Esse maldito corre-corre de Natal

Não sei se esse sentimento é exclusivamente meu, mas muito me incomoda essa correria de Natal. Lojas e ruas entupidas de gente gastando tudo que podem e que não podem, o trânsito que fica caótico, a mídia massificadora que nos faz engolir seus reclames - vendendo seus peixes para os ávidos por promoções, moças nos salões de beleza que já não têm horário nem pra tirar cutículas, as festas nas empresas, os amigos-ocultos chatos, aquele monte de comidaiada que o povo prepara para a ceia, e os conseqüentes supermercados também entupidos - de Chester a dar com o pau. Tudo isso passa e depois sobra pouco, o cansaço, muitas contas para pagar, dos cartões parcelados em sei mil quantas vezes e começa-se janeiro endividado até os ossos. E o espírito de Natal, me fala, esse foi parar onde? A loucura dos preparativos engole o que teria que ser o principal da festa.
Primeiro que fica todo mundo nervosinho e mau humorado. As buzinas ressoam pelo ar, em nome da pressa de chegar, corre-se tanto e não sabe-se exatamente para quê, ou onde. Os vendedores nas lojas simplesmente não olham para a sua cara, não se pode sequer travar um pequeno diálogo com eles, que se limitam à monossilabicidade do seu talão de vendas/comissões. Todos estão atordoados e frenéticos, querendo estapear o primeiro que lhes cruzar o caminho e diminuir-lhes a velocidade do andar. Pergunto, por acaso o mundo vai acabar depois do dia 25? Então que sangria desatada é essa que toma conta das pessoas, parece até véspera do fim do mundo, Deus me livre.
Essa coisa toda contamina, esse é o grande problema. Por mais que você não queira ser assim, como essa horda de maratonistas do Natal, é impossível cultivar a calma e a paciência quando todos estão assim tão amalucados, e sempre aparece um cretino para irritar você, por mais que o seu espírito Dalai Lama queira prevalecer, parece até que todos esperam chegar a época de festas para poder ficar assim desse jeito, guardam suas raivas recolhidas para esta época do ano, onde a gente pode maltratar o próximo à vontade e botar a culpa na correria do Natal.
Os shoppings estão cada dia mais cheios e as igrejas, vazias. Ninguém dedica um minuto do seu tempo para visitar a casa do aniversariante, Jesus Cristo, as crianças já nem sabem mais direito o que se comemora, sabem que vão ganhar o Playstation, dormir mais tarde, comer quitutes, e os pais, por sua vez, não têm tempo de contar para os seus filhos o que aconteceu dia 25 de dezembro, porque estão todos enfiados nas malditas lojas se estapeando pelas promoções. No máximo levam os pimpolhos junto, pra tirar foto do lado daquele cara gordinho na roupa de cetim vermelha, suando igual um condenado pra fazer um troco no final do ano.
As pessoas compram, compram, compram, de forma desenfreada, na verdade para suprir alguma outra coisa que lhes falta, para tentarem ser mais felizes assim, de roupas novas, dando presentes para o mundo inteiro. E adianta o quê tudo isso? Bom, eu boicoto totalmente o Natal. O Natal consumismo, Natal falsidade, [tu é obrigado a trocar presentes com aquele colega que trabalho que rosna o ano inteiro pra ti] enfim, esse Natal totalmente capitalista que domina as pessoas. Comigo tem isso não. Vou continuar andando devagarinho pelas ruas, não tenho pressa, porque eu sei que depois do dia 25 vem... o dia 26, e só. Eu me recuso a participar dessa bobajada toda. E se alguém na rua vier tentar me irritar eu vou sorrir... porque o Natal é o nascimento de Jesus, e me lembrar disso é um belíssimo motivo para ficar feliz.
às 17h23 []
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Fanatismo irracional é isso, o resto é pinto!

Aaaaaaaaaaaaa não! Pára tudo. Aí já é demais para o meu dia. Acreditem que saiu uma criatura, um bocoió óbvio, de sua cidade no Piauí – São Gonçalo de Gurguéia, mais especificamente, a 830 kilômetros da capital Teresina - e está indo, a pé, para a posse do Lula no Planalto? A figura chama-se
"Às vezes almoço, às vezes janto, nos últimos dois dias tenho de optar em almoçar ou jantar. Vou pernoitar aqui
Ahn, e os populares estão escrevendo cartinhas, que ele está guardando para entregar pessoalmente ao presidente. Bom, eu achei que dezembro fosse época de escrever para o bom velhinho, e não para o sapo bigodudo, mas tudo bem, acho que eu penso tudo errado e o resto do país é que tá certo. Quer saber, ô andarilho? Acorda meu filho, volta lá pra São Gonçalo da Puta que te pariu e se lasque! Morre mesmo de sede, palhaço, o Brasil tá precisando de gente como você.
A aventura de
Huahuahuahuahuah!!! Esse mundo tá mesmo é no fim!
às 17h08 []
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A gripe da franga

Ai minha Santa Kerupita dos lenços de papel! Justo quando você vem num bom ritmo de estrapolações várias, o seu belo organismo acha um meio de parar você, e o pior é que o danado consegue. Pois foi só assim mesmo que eu passei all the weekend enfiada em casa, entre um horário de comprimido e outro, uma assoada de nariz e outra, enquanto o Rio bombava lá fora. Pior que eu não fiquei arrependida, achei foi bom, um modo meio que forçoso de dizer a mim mesma que eu precisava me ausentar de algumas coisas. E algumas pessoas também. E foi assim que eu curti alguns cds e muitos programas idiotas na tv, felizona. Como é bom não ter que pensar na roupa de sábado à noite, nem ter que escovar a peruca para sair. Em casa sábado significa chinelão, e com meias. Tem realmente suas compensações.
Bem que o trânsito astrológico me reservava introjeção, mas eu não imaginava que seria tanta assim. Eu não sabia que por custa desse momento tão ímpar eu iria ter que ficar enclausurada e dodói, acompanhada de Naldecon dia/noite [o negócio é porreta, eu recomendo], spray de garganta, amoxilina, paracetamol e outros badulaques de gente resfriada. Eu sei que eu estava precisando parar para pensar na vida, e ficar sozinha um pouco, eu entendo a conjunção astral, e respeito, mas podia não ser junto com esse nariz escorrendo. Garanto que eu iria conseguir refletir melhor sobre minha existência atual e futura, se não tivesse que parar para abrir a caixinha de lenços de 5 em 5 minutos. Blérgh. Acho eu que os anjos forçaram a barra na verdade. Não os culpo. Nada haveria de me parar que não fosse uma coisa dessas, afinal, frenética era a minha alcunha, até dar com essa indisposição ferrenha. Essa providencial indisposição.
O bom disto tudo é que emagrece. Tá, eu sei que é absurdo dizer isso, que vão me culpar, que vão me chamar de doida, nesses tempos onde os transtornos alimentares são tão discutidos e sentenciados, mas eu acho bom e pronto, vou ficar aqui fazendo uma de santa não. Adorei a idéia de perder mais alguns kilos, por não conseguir comer direito - se bem que eu acho que tenho comido mais do que o normal nesse período - ou talvez pela própria convaslecência, assim naturalmente... quem não quer? Ô delícia... Tanto que hoje, segunda-feira, entrei numa saia com o zíper fechado, saia de gente magra. Desculpa aê, mas que resfriado que veio a calhar... [q péssimo...] Daqui a pouco vou na farmácia conferir meus ganhos, ou melhor, minhas perdas, espero sinceramente ter saído dos 73, já há 2 semanas que eu não saio desta marca, quero ver esse ponteiro rolar para baixo.
Providencial foi também a semana em que adoeci. Fosse nesta agora eu estaria frita, ops, frita não que fritura engorda, eu estaria cozida no vapor [!] já que nesta semana, mais precisamente no dia 16.12, irei ao show do Rappa na Fundição Progresso, casa que eu amo de paixão, show que eu amo mais ainda de paixão. Por isso estou sofrendo os inconvenientes feliz, afinal, vai dar tempo de recuperar a carcaça pra ferrar com tudo dia 16, craro... não podia fechar o ano sem uma grande aparição como será essa, Falcão e sua troupe, eu e a Fundição, casa que me proporcionou o primeiro show dos Los Hermanos, excelentes recordações. Nada como um período de incubação para surgir no outro, em grande estilo... o nascimento de uma alma é coisa mesmo demorada...:-) Sábado é o diaaa!!!
Em tempooo:

às 12h31 []
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